sexta-feira, 25 de julho de 2008
CIRCUNCISÃO EM NOVA YORK
Hoje fui assistir a peça CIRCUNCISÃO EM NOVA YORK, que está em cartaz no Teatro Villa Lobos em Copacabana. A peça foi escrita por João Bethencourt, que merece toda nossa admiração, não por este trabalho. A dramaturgia na melhor das hipóteses é boba, uma boa ideia com desenvolvimento característico das peças meramente comerciais. A direção é de Ricardo Kosovski que fez um trabalho modesto, sem teatralidade alguma, corroborando para a fragilidade do texto. Os atores se defendem muito bem, como podem, conseguem tirar boas risadas do público, a atriz Suzana Saldanha se mantém firme até o fim e agrada. Os atores Débora Lamm, Pitty Webo, Cláudio Garcia e Saulo Arcoverde são todos muito inteligentes e cumprem com profissionalismo seus papeis, merecem cada centavo que ganham com este trabalho. O ator Nildo Parente fará sempre bem seu personagem unico, cumpre sua função com competência. Porém, o destaque deste trabalho é o consagrado Francisco Cuoco, do início ao fim interpreta seu personagem com vigor e carisma digno dos grandes atores. Vale muito apena ver o Sr Francisco Cuoco nesta peça.
Queridos, CIRCUNCISÃO EM NOVA YORK apesar de ser "bobinha", não desagrada, pode ser um bom programa pipoca.
terça-feira, 15 de julho de 2008
Festivais de Inverno de Minas Gerais
Estou acompanhando o povo do Pé na Rua, projeto do Galpão Cine Horto na Estrada. Este ano a montagem ficou sob a direção de Inês Peixoto (Galpão) e Laura Bastos. Quem assina o texto é Paulo André (Galpão) que construiu a dramaturgia junto com o material que o elenco foi trazendo para o ensaio, o resultado é a fábula de Arande Gróvore, uma linda montagem infantil para a Rua. Paulo André criou uma língua nova, o Gróvores, a peça inteira é falada nesta língua. Os atores executam com tanta firmeza que ninguém deixa de embarcar nesta maravilhosa aventura.
Tenho o privilégio de estar acompanhando o grupo nesta nova etapa de apresentações pelos Festivais de Inverno que acontecem em varias cidades de Minas Gerais. No Domingo estivemos em Entre Rios, uma linda cidade próxima de BH que nos recebeu muito bem, o festival de inverno de Entre Rios está na sua terceira edição e é muito bem organizado, foi um Domingo lindo, com a praça cheia e o povo emocionado. Hoje (terça) nós iríamos para Congonhas, mas a produção do festival é completamente desorganizada e nos fez perder o dia, não apresentamos o espetáculo. Amanha estaremos embarcando para Diamantina onde, tudo indica, será maravilhoso.
Arande Gróvore:
A peça, queridos, é emocionante. O trabalho foi feito com muito carinho por todos os participantes do projeto, o elenco junto com a direção percorreu o caminho da contação de historias, das fábulas e contos de fadas. Paulo André extraiu do material de ensaio os elementos para a dramaturgia, o autor optou por criar uma língua nova, misturando palavras, idiomas e dialetos, surgiu o "Grovores", língua que os personagens falam no reino de Arande Gróvore.
O elenco domina muito bem o "Grovores", fazendo com que a platéia entenda o que está sendo dito, não se perde nada... A peça pode ser vista em qualquer lugar do mundo.
O Figurino, as Rodantes (Bicicletas) e os adereços são lindos e nos fazem embarcar ainda mais no drama. Destaque para a trilha sonora de Fernando Muzzy, o som foi adaptado em uma das Rodantes, é fascinante, as músicas compõem o ambiente e envolve a cena.
Maravilhosas soluções de entradas e saídas de personagens, tudo acontece ali, na frente do público, mas a magia nunca é perdida.
Queridos, adoro poder dividir um pouco desta experiência fantástica.
Teatro ainda é um otimo veiculo de paixão e libertação. Evoe.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Em Breve estreia em BH a peça Aronde Gróvore!







Queridos Leitintes, aqui em BH pude acompanhar dois ensaios da montagem Aronde Gróvore, peça do Projeto Pé na Rua do Galpão Cine Horto, que tem estreia oficial prevista para Agosto. Digo com toda segurança que vai ser um belíssimo espetáculo de teatro de Rua. Acima algumas fotos de ensaio. Aguardem!
segunda-feira, 9 de junho de 2008
"Quase Para Sempre" - Bosco Brasil
A vida segue independente da gente. Tomamos parte nas escolhas antes mesmo do corpo, no momento único, saber como vai reagir. O mundo doí, essa dor hora é divertida, hora é ainda mais divertida. Depende sempre de como o observador observa. O trágico na vida é absolutamente cómico, diante da morte a vida até parece ficção. O resto é alimento, o fogo queima e a a vida é de fato dionisíaca."Quase Para Sempre" escrita por Bosco Brasil e dirigida por Roberto de Souza, fala dessa pulsão, desse grito que parece respiro do instante. Meu momento único, neste caso, foi a coxinha de galinha descendo pelo esófago.
A montagem do curso de Direção da Uni-Rio está em cartaz na Sala Cinza da universidade, trata-se, por tanto, de uma prática de montagem, todos estão sendo avaliados, direção, elenco e técnicos.
Roberto de Souza optou por transformar a cena em um ringue, um duelo crescente se estabelece. Os atores Joana Lerner, Juliana Delgado e Bernardo Lacombe, dão conta do recado. Os três parecem entender a tragetória dos personagens e tem a calma precisa dos bons atores. A direção é limpa e sem exageros. As transiçoes de cena são otimas, um respiro para o próximo roud. Os contra regras mudam a cena transformando o ringue. O cenário é criativo e colabora com a ideia de ringue, pondo a plateia dos dois lados do palco central. O figurino é simples e não compromete. A iluminação é profissional. A música é certeira e refresca em quanto os contra regras transformam a cena entre um ato e outro. As cenas são todas previamente anunciadas o que nos joga pra dentro da trama novamente.
"Quase Para Sempre", apesar de toda dificuldade enfrentada pela produção, que não obteve verba para montagem, é uma peça que eleva a moral do teatro carioca. Gostaria de ver mais peças assim na cena do Rio.
Momento único. A Invisível companhia não é mais invisível

A peça LIMITE me fez pensar - Vários foram meus momentos únicos. Únicos foram todos os momentos, só há momentos únicos. Únicos foram os momentos únicos! @##$%%¨¨&
Parece que todos nós temos nossa missão pictórica, ou seja, a missão de ser a figura de um quadro, uma imagem, um recorte. O tempo todo observamos e somos observados, são tantos momentos únicos que não podem ser tantos.
A peça LIMITE, em cartaz na FOXFOBOX, da Invisível Companhia, toma para si a responsabilidade de nos brindar com um momento único. No principio é o coelho que invade. O coelho gigante parece sair da tela do cinema, um coelho triste? O fato é que é um coelho, que nos atravessa com sua imagem no tempo, no espaço. Depois são muitas as pessoas que passam na tela, carregando suas malas, se fundindo, misturando, gestos, formas, imagens, tela, cinema/teatro, musica, ritmo... Gente linda coisando, se deixando ser parte, sou parte logo existo!
Os quatro atores (Fernanda Felix, Michel Blois, Pedro Henrique Monteiro e Thiare Maia) assumem sua posição no espaço. Pedro parece tentar adivinhar o que os outros fazem, uma espécie de Anti-narrador, se deixando levar pelo que ouve e imagina. Tudo inseguro! Há um mistério, alguém na plateia tem uma corneta, ao toque da corneta todos mergulham suas cabeças em um balde cheio de agua, permanecendo assim até o próximo toque da corneta, fôlego e a peça continua... e a vida continua. Em alguns momentos parece um jogo de improviso, ou um anti-improviso. Michel tem uma obrigação, Thiare manipula Michel. Imagens são produzidas... Cheiro de ovo frito. Pedro narra. Tudo ao mesmo tempo e separado. Há espaço. Há tempo. Há uma infinidade de imagens. O DJ é uma cabeça dispersa que as vezes reage, musica. Não posso dizer aqui o indizível, LIMITE. Vale tudo! Eles tem medo de verdade, estão a flor da pele.
LIMITE é real, os atores estão ali de verdade - Risco.
O resto eu só sinto, não entendo.
Queridos Leitintes bom teatro é pra ser visto. Vejam LIMITE!
sábado, 7 de junho de 2008
Um Ariano Suassuna sem exageros

Caros amigos leitintes, assisti ontem O Santo e a Porca de autoria do mestre Ariano. A direção de João Fonseca é sem exageros, quase tímida. O diretor tem se destacado na cena carioca com inúmeras montagens com seu grupo o F... Privilegiados e tem merecido a atenção de todos nós que figuramos pelos teatros a procura de algo que nos aqueça o coração. Foi exatamente isto que aconteceu logo no inicio da peça, ao abrir a cortina nos deparamos com um cenário digno das peças de Suassuna. Os atores entram em cena para cumprimentar a platéia e dar inicio a historia. Não é fácil montar Ariano Suassuna, a trajetória dos personagens nesta farsa beira a esquizofrenia, a começar pelo personagem Euricão, interpretado magicamente por Ewerton de Castro,
o ator empresta todo seu carisma ao ingênuo avarento criado pelo mestre Ariano. O elenco parece entender que o carisma é a alma de uma boa farsa, todos os personagens estão defendidos com amor e profissionalismo. O casal, interpretado por Janaína Prado (Margarida) e Armando Babaioff (Dodô),
faz gosto de ver, ela racional, sem perder o charme da mocinha e ele tentando ser feio conseguem tirar boas gargalhadas do público. Gláucia Rodrigues (Caroba) e Nilvan Santos (Pinhão) são os "amarelos", personagem sempre presente nas obras do mestre, ambos, logo se vê, são gente de teatro, adoro!. Alegria ver também o Élcio Romar
que interpreta o fazendeiro Eudoro, com sua voz potente é o galã das nossas meninas da melhor idade, tirou boas risadas utilizando sua capacidade vocal extraordinária. A atriz Duaia Assunpção sabe utilizar sua altura desengonçada e brinca de ser a irmã solteirona de Euricão, a Dona Benona. O figurino dialóga com tudo e colore a cena. A luz é fina. A direção arrisca pouco mas é precisa, João Fonseca parece ter preferido o caminho seguro da limpeza pra não atrapalhar o bom andamento da historia, é uma escolha. Direção é opinião!Queridos Leitinte, bom teatro é pra ser visto, por tanto, saia de casa, vá até o SESI na Av. Graça Aranha e veja O Santo e a Porca.
terça-feira, 8 de maio de 2007
Narrador - Narrativa e QUARTA PAREDE
O narrador é a entidade que conta uma história. É uma das três entidades em uma história, sendo as outras o autor e o leitor/espectador. O leitor e o autor habitam o mundo real. É função do autor criar um mundo alternativo, com personagens e cenários e eventos que formem a história. É função do leitor entender e interpretar a história. Já o narrador existe no mundo da história (e apenas nele) e aparece de uma forma que o leitor possa compreendê-lo.Em inglês, para delimitar essa distinção, o autor é referido por he, o leitor por she e o narrador por it.
O conceito de narrador irreal (em oposição ao autor) se tornou mais importante com o surgimento da novela no século XIX. Até então, o exercício acadêmico de teoria literária investigava apenas a poesia (incluindo poemas épicos como a Ilíada e dramas poéticos como os de Shakespeare). A maioria dos poemas não têm um narrador distinto do autor, mas as novelas, com seus mundos imersos na ficção, criaram um problema, especialmente quando o ponto de vista do narrador difere significativamente do ponto de vista do autor.
Uma boa história deve ter um narrador bem definido e consciente. Para este fim há diversas regras que governam o narrador. Esta entidade, com atribuições e limitação, não pode comunicar nada que não conheça, ou seja, só pode contar a história a partir do que vê. A isso se chama foco narrativo.

Narrador e narratário são tipos especiais de personagens, mesmo quando não fazem parte da ação. Como personagens, podem ter história, aparência, caráter, ideologia e, no caso do narrador, principalmente estilo.
Há dois tipos de interação opostas do narrador com o universo narrativo. O primeiro é a condição de narrador-personagem.
Narrador etéreo: não está inserido no universo narrativo: é como se vagasse no éter e as contingências do universo narrativo não o atingissem, nem ele tampouco pudesse interagir com este. Do mesmo modo pode-se falar em:
Narração primária e narrativa na narrativa: é comum narrativa em que um personagem se põe a narrar, via discurso direto. A diferença dessa narrativa para a primária é que a narração de personagem é uma ação da fábula. A narrativa primária é externa à fábula.

Origem e significado
Apesar de ter surgido no teatro, onde os palcos, geralmente de três paredes, apresentam mais literalmente uma "quarta parede", o termo é usado em outros mídia, como cinema, televisão e literatura, geralmente para se referir à divisória entre a ficção e a audiência.
A quarta parede é parte da suspensão de descrença entre o trabalho fictício e a plateia. A plateia normalmente aceita passivamente a presença de uma quarta parede sem pensar nela directamente, fazendo com que uma encenação seja tomada como um evento real a ser assistido. A presença de uma quarta parede é um dos elementos mais bem estabelecidos da ficção e levou alguns artistas a voltarem a sua atenção para ela como efeito dramático. Por exemplo, na peça The Fourth Wall de A.R. Gurney, quatro personagens lidam com a obsessão da dona de casa Peggy por uma parede em branco na sua casa, lentamente sendo desenvolvida numa série de clichés teatrais, enquanto toda a mobília e a acção em cena vão cada vez mais se dirigindo à suposta quarta parede.
Derrubando a quarta parede
O acto de derrubar a quarta parede é usado no cinema, no teatro, na televisão e na arte escrita, originado da teoria do teatro épico de Bertolt Brecht, que ele desenvolveu a partir (e, curisamente, para constrastar com) a teoria do drama de Konstantin Stanislavski. Refere-se a uma personagem dirigindo a sua atenção para a plateia, ou tomando conhecimento de que as personagens e acções não são reais. O efeito causado é que a plateia lembra-se de que está a ver ficção, e isso pode eliminar a supensão de descrença. Muitos artistas usaram esse efeito para incitar a plateia a ver a ficção sob outro ângulo e assisti-la de forma menos passiva. Bertolt Brecht estava ciente que derrubar a quarta parede iria encorajar a plateia a assistir a peça de forma mais critíca, o chamado efeito de alienação.
Derrubar a quarta parede de forma súbita é um recurso bastante usado para um efeito humorístico Non Sense, já que tal efeito é inesperado em ficções narrativas e afins. Alguns acreditam que derrubar a quarta parede causa um distanciamento da suspensão de descrença a ponto de constrastar com o humor de uma história. No entanto, quando usada de forma consistente ao longo da história, é geralmente incorporada ao estado passivo da plateia.
Essa exploração da familiaridade de uma plateia com as convenções da ficção é um elemento chave em muitos trabalhos definidos como pós-modernistas, que descontroem as regras pré-estabelecidas da ficção. A ficção que derruba ou directamente se refere à quarta parede muitas vezes também usa outros recursos pós-modernistas, como meta-linguagem.
O recurso é muito usado no teatro improvisado, aonde a plateia é convidada a interagir com os actores em certos pontos, como para escolher a resolução de um mistério. Nesse caso, os espectadores são tratados como testemunhas da acção em andamento, tornando-se "actores", atravessando a quarta parede.
A quarta parede também é usada como parte da narrativa, quando a personagem descobre que faz parte de uma ficção e 'derruba a quarta parede' para estabelecer um contacto com a audiência, em filmes como O Último Grande Herói (Last Action Hero. Em situações como esta, a 'quarta parede' que a personagem derruba permanece parte da narrativa em si e a parede entre a plateia real e a ficção permanece intacta. Há casos também em que a criatura encontra o criador, como no período em que Grant Morrison escrevia as histórias em quadrinhos do Homem Animal. Histórias como estas não derrubam efectivamente a quarta parede, e sim apenas referem-se a esse recurso.